Dia das Mães

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Beijos de Filho

Minha mãe está doente. Nem sei se vai registrar os cumprimentos pelo Dia das Mães, no domingo. Sua memória anda pregando peças.
Nós, os filhos, passaremos por lá para cumprimentá-la, é claro.
Eu nem vou ficar chateado se ela me confundir com meu irmão. Isso acontece às vezes e faz parte da idade. O importante é que ela estará por lá e teremos o privilégio de ficar ao seu lado para homenageá-la, mimá-la e agradecê-la por tudo o que conseguimos conquistar.

Se escrevo, devo muito a meu pai, um apaixonado pelo idioma. Mas foi minha mãe quem me ensinou a não sofrer tanto com os grilhões da Gramática. "Escreva de ouvido", brincava ela. Uma lição fundamental. Porque um texto tem que soar correcto. Tem que ser bonito. O mundo já está cheio de textos correctos e feios. Esse, aliás, era um dos poucos motivos de briga entre ela e papai, que prezava as regras da escrita como ninguém.

No último final de semana estive com a Velha Iza. Está caidinha, em uma cadeira de rodas, desanimada. Mas seus olhos brilharam quando me viu. E ela me viu mesmo. Me chamou pelo nome, me beijou e voltou a dizer que eu estava lindo (coisa de mãe, compreendam). Fiquei duplamente feliz. Primeiro, porque ela ainda está por aqui, para servir de Norte, de referência para todos nós da família. Depois, porque é muito gostoso ainda ter mãe.
Pensando nela e em tantas outras mãezinhas que eu dedico um enorme beijo de Dia das Mães. Mamães que já não podem mais fazer os nossos pratos predilectos, nem contar para os netos aquelas histórias que ouvimos quando éramos crianças. Algumas nem têm filhos por perto. Pois há filhos que abandonam as mães. Também há mães que abandonam filhos. Afinal, esse mundo é cheio de incongruências. Mas não importa. Todas são mães e sempre serão, com ou sem os chatos dos filhos por perto.

Se você tem mãe ainda viva, aproveite. Ela vai sempre cobrar alguma coisa, reclamar de outras e eventualmente vai até lhe dar uns safanões. Não se incomode. Mãe é assim mesmo. Se não fizer isso, ela fica triste, porque acha que deixou de ser mãe. Aproveite bastante da companhia dessa mulher que é única e intransferível. Você pode dividir a mesma mãe com irmãos (esses intrusos!), mas jamais vai poder dividir-se em vários filhos de muitas mães. Pode até amar e se deixar amar por outras mães. Mas ela sempre será a titular.

Se você já não tem a mãezinha por perto porque ela virou estrela, aproveite para olhar o céu com candura. Nem sei se é para lá que iremos todos, mas foi assim que minha mãe ensinou e eu insisto em repetir a lição. Porque não tem coisa mais gostosa do que imaginar que a mãe da gente vai para um lugar bonito, longe das preocupações, dos aborrecimentos e da tristeza por não ter alcançado algum sonho que se perdeu na noite dos tempos.

Enfim, no Dia das Mães, não desperdice seu amor. Seja filho, seja filha, por mais que doa, por mais que entristeça. Pense nas noites em que ela passou em claro por você, nas risadas escondidas por causa de alguma das suas travessuras reprováveis e nas tantas vezes em que você conseguiu porque era ela torcia desesperadamente pela sua vitória.
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1/05/2005
Maurício Cintrão
cintrao@uol.com.br

LauraBM às 16:37 | E custa, comentar neste blog?
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